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30/12/2009

As indicações do Mago: o Iniciador

As indicações do Mago: o Iniciador

O Mago é uma espécie de anjo da guarda, mas um anjo irreverente. Nada daquele personagem imaginário que espera passivamente pelas atitudes do homem e quando elas vêem, e são na direção do bem, ele sustenta o esforço. Ou da candura que sopra bons pensamentos e inspira no caminho reto. Não. O Mago não é doce, é ágil, quase volátil, cheio de movimentos, idéias e soluções. A sua aspiração é para o bem, isso é inconteste, mas ele pode ser brincalhão, sempre com o intuito de testar a vontade e o conhecimento.

Existe uma certa praticidade no arcano, do tipo que aponta as soluções como quem olha para o mais prosaico e obvio a ser feito. A questão é que as soluções trazidas pelo ‘anjo’ nem sempre são fáceis, geralmente exigem esforço, desprendimento e o mesmo estoicismo que ele tem em relação à vida. Contudo, quando ele surge numa tiragem sinaliza que há uma solução para a situação. A carta é bem positiva.

O Mago é relacionado ao mito de Mercúrio (para os Romanos), Hermes (entre os Gregos) e Thoth (na mitologia Egípcia). Os mitos falam de um deus extremamente rápido, com asas nas sandálias e em seu capacete. Era ele quem fazia a ponte entre o mundo celestial e o terreno. Considerado o intérprete da vontade dos deuses. De extraordinária inteligência, conta-se que Hermes conseguiu, ainda bebê, livrar-se das fraldas e foi à Tessália, onde roubou parte do rebanho guardado por seu irmão Apolo, escondendo o gado em uma caverna. A seguir voltou para o berço, como se nada tivesse acontecido. Quando Apolo descobriu o roubo, conduziu Hermes diante de Zeus, que o obrigou a devolver os animais. Apolo, no entanto, encantou-se com o som da lira que Hermes inventara e ofereceu em troca o gado e o caduceu, uma vara com duas serpentes entrelaçadas, símbolo de seu poder de apaziguar lados opostos numa contenda. Mais tarde, Apolo ainda lhe concedeu o dom da adivinhação.

Hermes era invocado, a princípio, como deus dos pastores e protetor dos rebanhos, dos cavalos e animais selvagens; mais tarde tornou-se deus dos viajantes, e em sua homenagem foram erguidas estátuas à beira das estradas. Posteriormente, Hermes tornou-se deus do comércio e até dos ladrões. Também era Hermes quem guiava as almas dos heróis até o rio Estige, lugar que ligava o reino dos vivos com o reino dos mortos. O deus era o único que tinha livre passagem no mundo dos mortos.

Hermes, o Trimegistro, nos deixou princípios a serem entendidos e seguidos: ‘Assim como acima está abaixo’, ‘O Universo é mental’ e ‘Tudo é vibração’. Sobre Thoth, sabe-se que era consorte de Maat, a deusa da Justiça que representava o conceito da Verdade no antigo Egito. Thoth é representado nos papiros como escriba. Comumente aparece nas estelas antigas escrevendo e lendo a sentença do morto na hora do julgamento da alma. Também lhe é atribuído o caráter de primeiro iniciador. Aquele que ensina os passos da autodescoberta ao homem para que ele se liberte do processo reencarnatório.

Depois dessa viagem pelos mitos fica mais fácil entender alguns aspectos do Mago. Assim, o Mago é aquele que zomba de nós caso queiramos saber sobre assuntos considerados triviais diante dos reais aprendizados da vida. No entender o arcano o mundo e a oportunidade de cada um de nós, nele, é pura magia e não pode ser desperdiçado.

Perguntas como ‘para onde você quer ir? O quê você quer? A qual força você ira servir?’, são questionamentos para quem quer manter um diálogo com o arcano. O Mago ensina que o homem não deve buscar os extremos, mas equilibrar-se entre o espírito e a matéria. Ele explica, também, que os elementos - ar, água, fogo e terra - que estão ao nosso redor, fazem parte do nossos corpos físico, mental, astral e espiritual.

Ao encontrá-lo é quase possível ouvir: cuidado! A água pode afogar-te, assim como as emoções. O fogo pode queimar, assim como o orgulho e a raiva. A matéria é necessária à realização da alma, mas a ambição e a vaidade podem destruir o propósito de uma vida. Assim como a palavra pode ser uma arma, ou um escudo, para o bem ou para o mal.

O Mago é magia, é luz, é a lembrança da unidade primordial e, ao mesmo tempo, é aquele ser que olha para nossos dramas diários como se fossem apenas as estações que passam numa árvore. Ele observa e entende que as estações passarão e a árvore irá florir novamente e continuar sua jornada. Assim, ele olha como se não visse os dramas nos quais volta e meia a maioria de nós mergulha. E espera que tenhamos a mesma atitude.
Paulo Dantas

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